Parlamentares e entidades discutem adulteração do leite no Rio Grande do Sul
A situação de adulteração do leite no RS, conforme investigações comandadas pelas Promotorias de Justiça Especializada Criminal e de Direito do Consumidor e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento foi tema de audiência pública na Assembleia Legislativa nesta segunda-feira, dia 27 de maio.O presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Copoperativismo, deputado Edson Brum destacou que ainda não existem elementos suficientes para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a fraude do leite, e que o Ministério Público continua as investigações para apurar todos os fatos. "A nossa preocupação aqui é proteger a saúde da população, pois o leite é um alimento, e também proteger a cadeia produtiva como um todo, uma vez que a grande maioria dos produtores, indústria e transportadores são pessoas sérias. Temos que levantar quem realmente cometeu a fraude, pois ele acaba manchando e atrapalhando toda a cadeia produtiva gaúcha", salientou. O presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, participou da reunião.
O deputado Ronaldo Santini adiantou que a fraude preocupa todas as comissões da Casa e defendeu medidas enérgicas para que o Rio Grande do Sul não saia do episódio com a reputação manchada.
Necessidade de aperfeiçoar fiscalização é unanimidade
O subprocurador do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Marcelo Lemos Dorneles, explicou que desde fevereiro a instituição investiga a adição de água, ureia e formol ao leite. Ele sublinhou que desde 2008 existe um convênio entre o Ministério da Agricultura, Secretaria de Agricultura, Ministério Público do RS e instituições privadas para monitorar a qualidade do leite no estado, e foi justamente através destas verificações que foram constatadas as adulterações. Dorneles salientou que a exposição da fraude serve para proteger aqueles que trabalham e produzem honestamente. Ele adiantou que as investigações prosseguem e que outros casos poderão surgir nos próximos dias.
O delegado do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul, Francisco Signor, sublinhou que nunca faltou clareza no trabalho desenvolvido. Ele destacou ainda que a portaria 62, do Ministério da Agricultura, busca justamente preservar a qualidade do leite e que muitos não queriam que ela entrasse em vigor. Para Signor, é necessário que se estabeleça um critério e uma metodologia unificados de fiscalização, para garantir a qualidade do leite produzido no Estado.
O presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, solicitou que a Assembleia Legislativa instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar todos os fatos. Elton Weber, presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag), destacou que a fraude causou revolta nos produtores honestos. Ele solicitou que sejam adotados procedimentos de fiscalização que garantam mais segurança para os produtores. João Teles, representante da Farsul, destacou a necessidade de achar os culpados e puni-los exemplarmente. Ele sugeriu que se busquem tecnologias novas para auxiliar no controle e fiscalização da qualidade do leite no Rio Grande do Sul.
Presenças
Também participaram da audiência pública os deputados Jeferson Fernandes, Marcelo Moraes, Zilá Breitenbach, Frederico Antunes e Heitor Schuch, representantes da secretaria estadual da Agricultura, OAB/RS, Famurs, Conselho Regional de Medicina Veterinária, Apil, Sindilat, UFRGS, Ulbra, Corsan, Sociedade Veterinária do Rio Grande do Sul, Associação de Gado Jersey do Rio Grande do Sul, além de prefeitos e vereadores.
Com informações da Agência de Notícias da Alergs
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