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Comitê Elas pelo Coop RS celebra dois anos na Expodireto Cotrijal
Encontro promovido pelo Sistema Ocergs marcou a formatura da primeira turma do comitê e o início de uma nova jornada para mais mulheres no cooperativismo gaúcho.
Criado há dois anos na Expodireto, o comitê Elas pelo Coop RS celebrou, nesta terça-feira (10), a conclusão do primeiro ciclo de formação em um encontro promovido pelo Sistema Ocergs, na Casa do Cooperativismo, em Não-Me-Toque. A programação reuniu mulheres de cooperativas gaúchas para debater liderança, protagonismo feminino e geração de oportunidades no cooperativismo, com palestra da head de Marketing da Vakinha, Bárbara Zarpelon.
Conclusão de um ciclo para início de outro
O evento marcou a formatura das integrantes que concluíram a trilha de formação baseada nos pilares de autodesenvolvimento, liderança e cooperativismo. Ao todo, 54 mulheres completaram 80 horas de capacitação on-line e participaram dos encontros mensais do comitê. “A partir de agora, elas serão multiplicadoras de iniciativas como essa dentro das suas próprias cooperativas”, destacou a idealizadora do Elas pelo Coop RS, Rafaeli Minuzzi.
Durante o encontro, também foi lançada uma nova turma, composta por outras 31 mulheres, que iniciam agora a jornada de formação. O movimento estadual é inspirado em uma iniciativa nacional do Sistema OCB.
Formação para fortalecer trajetórias
A coordenadora do comitê e gerente de Marketing da Sicredi Região da Produção, Luana Elicker, ressaltou que a proposta da iniciativa é apoiar as mulheres em diferentes momentos de suas trajetórias, sempre respeitando os propósitos e objetivos de cada uma.
“Nosso papel é fazer com que as mulheres entendam quem elas são, onde querem chegar e qual o caminho a percorrer. Temos o desafio de formar lideranças, preparar as mulheres para assumir desafios de carreira, mas, se elas não quiserem crescimento de carreira, que possam utilizar os aprendizados no que faça sentido para elas, dentro do seu propósito de vida”, afirmou.
Hoje, 51% das pessoas associadas às cooperativas gaúchas são mulheres. Entre os ramos que mais contribuíram para o avanço da presença feminina no cooperativismo, estão Trabalho, Produção de Bens e Serviços, Crédito e Agropecuário. Ainda assim, elas ocupam apenas 17% dos cargos de liderança no setor.
Equidade ainda é um desafio
Esse cenário não é exclusivo do cooperativismo. Dados apresentados durante a palestra “Mulher de Negócios” apontam que, no ritmo atual, a equidade de gênero no ambiente corporativo deve ser alcançada somente em 2051.
“Minha principal mensagem foi: comece agora com o que tiver. A evolução das mulheres no mercado de trabalho ainda é dura, os dados de equidade mostram isso, mas quando cada uma de nós busca prosperar individualmente e, ao mesmo tempo, incentivar outras mulheres, esse avanço acontece muito mais rapidamente. Saio daqui com a sensação de que aprendi mais do que ensinei, ao ver tantas mulheres já muito preparadas para fazer acontecer”, resumiu Bárbara Zarpelon.
Cooperativas levam a iniciativa para suas realidades
Durante o evento, as participantes também conheceram a experiência de uma cooperativa que estruturou um comitê próprio para tratar do tema no Rio Grande do Sul. Coordenadora do Squad IluMina, Raquel Lazarotto compartilhou a experiência da Coprel, de Ibirubá, à frente do projeto.
“Inicialmente, nossa ideia era tratar do universo de finanças com as mulheres. Para nossa surpresa, ao realizarmos uma pesquisa, descobrimos que, muito antes disso, elas precisavam do básico. Queriam um dia somente para elas, sem precisar se preocupar com o cuidado dos filhos ou com a preparação do almoço”, relatou. Segundo Raquel, aos poucos, a cooperativa já percebe avanços, como o aumento da presença feminina em áreas tradicionalmente masculinas. O próximo passo é ampliar esse trabalho também entre as associadas.
Participante do Elas pelo Coop RS desde o início, a diretora administrativa Silmara Fagan, da Campal, de Nova Palma, anunciou uma iniciativa semelhante. A cooperativa lançará, nesta semana, um comitê voltado ao fortalecimento da participação feminina.
“Eu já ocupo um cargo de diretoria. Trabalhando de forma conjunta, percebemos, cada vez mais, a necessidade de trazer outras mulheres com a gente. E esse é o objetivo da criação do comitê”, explicou. Com unidades em nove municípios da região central do Estado, a cooperativa tem como desafio ampliar a presença de mulheres no Conselho. “Sempre foi um questionamento da nossa direção. E nada melhor do que criar espaços para elas participarem”, acrescentou.