NOTÍCIAS
Nova Aliança reposiciona negócio e amplia foco em viticultura
Cooperativa vinícola amplia investimentos em vinhos finos, espumantes e turismo para agregar valor à produção e fortalecer sua presença no mercado.
A busca por mais competitividade passa por agregar valor à produção. É com essa estratégia que a Nova Aliança Vinícola Cooperativa conduz um processo de reposicionamento para ampliar margens, fortalecer marcas próprias e reduzir a dependência da lógica das commodities.
Considerada a cooperativa vinícola mais antiga do Brasil, a Nova Aliança vem promovendo uma reestruturação que combina investimentos, reorganização financeira e uma nova estratégia comercial. O objetivo é aumentar a participação de vinhos finos e espumantes no portfólio, sem abrir mão da tradicional produção de sucos de uva.
Mais valor agregado e menos dependência das commodities
Segundo o CEO da cooperativa, Heleno Facchin, um dos principais desafios identificados pela gestão foi a limitação de margens em produtos com características de commodity, como o suco de uva.
Para enfrentar esse cenário, a cooperativa vem ajustando seu mix de produtos e ampliando a presença em segmentos com maior valor agregado. O movimento já apresenta resultados.
De acordo com Facchin, a Nova Aliança dobrou o volume de espumantes comercializados e triplicou a receita gerada pela categoria. A meta estratégica é alcançar, até 2030, um equilíbrio entre bebidas alcoólicas e não alcoólicas, mantendo o volume atual de produção de sucos.
Do bastidor para o protagonismo no mercado
Outro eixo importante da transformação envolve o fortalecimento das marcas próprias da cooperativa. Historicamente, parte significativa da produção de vinhos e espumantes da Nova Aliança era destinada a terceiros, que comercializavam os produtos com suas próprias marcas. Agora, a estratégia é ampliar a presença direta junto ao consumidor final.
Para isso, a cooperativa reforçou sua estrutura comercial, ampliando a equipe de vendas e expandindo a rede de representantes em diferentes regiões do país. “Nosso maior investimento hoje é em pessoas”, destacou Facchin ao apresentar os planos de crescimento da organização.
Resultados financeiros mostram avanço da reestruturação
A reorganização também passa pela gestão financeira. Mesmo diante dos desafios enfrentados pelo setor vitivinícola nos últimos anos, a cooperativa registrou avanços importantes. Segundo a direção, 2024 marcou o primeiro resultado operacional positivo em oito anos, enquanto 2025 apresentou crescimento expressivo desse indicador.
A cooperativa também realizou um reperfilamento de suas dívidas, ampliando prazos e reduzindo custos financeiros. O movimento contribui para criar um ambiente mais favorável aos investimentos previstos para os próximos anos.
Investimentos em indústria e experiência do consumidor
A Nova Aliança anunciou um plano de investimentos de R$ 10 milhões para 2026, voltado à modernização industrial e ao fortalecimento do enoturismo. Nos últimos anos, a cooperativa já investiu cerca de R$ 15 milhões em equipamentos e estruturas para vinhos finos e espumantes.
Agora, também trabalha na criação de um novo espaço voltado à experiência dos consumidores, associado à marca Nova. O projeto prevê a construção de uma estrutura inspirada no conceito de vinícola boutique, com investimento estimado entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões.
Crescimento sustentável até o fim da década
Com faturamento na ordem de R$ 240 milhões, a cooperativa projeta ampliar a receita em aproximadamente 50% até 2030. A estratégia busca elevar a rentabilidade da operação, fortalecer a presença das marcas próprias e gerar mais valor para os cooperados, consolidando a Nova Aliança como uma das principais referências do setor vitivinícola brasileiro.