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Como preparar um líder para tomar uma decisão?
Confira o artigo escrito por Paola Londero, Coordenadora de Ensino, Pesquisa e Extensão na Escoop.
Essa pergunta tem orientado muitas das nossas reflexões na construção do PRISMA, novo programa de formação executiva da Escola de Negócios da Escoop.
Quando pensamos em desenvolvimento de lideranças, é comum estruturarmos capacitações a partir de conteúdos: selecionamos temas relevantes, convidamos especialistas e organizamos aquilo que o participante precisa conhecer. Esse modelo tem seu valor. Mas, para quem ocupa posições de alta liderança, entendemos que é preciso avançar. Conselheiros, diretores, superintendentes e executivos convivem diariamente com decisões para as quais dificilmente existe uma resposta pronta. São situações que envolvem informações incompletas, interesses distintos, riscos, incertezas e consequências que nem sempre podem ser antecipadas.
Nesse contexto, mais conhecimento é fundamental, mas não é suficiente. É preciso desenvolver julgamento. Aprender colocando-se no lugar de quem decide. Foi a partir dessa perspectiva que escolhemos o método de casos como um dos principais fundamentos metodológicos do PRISMA.
A lógica é diferente de uma aula tradicional. Antes do encontro, o participante recebe um caso e precisa estudá-lo. O material apresenta uma situação organizacional, seus personagens, contexto, informações e dilemas. Em determinado momento, surge a pergunta inevitável: se a decisão estivesse em suas mãos, o que você faria? É justamente aí que começa a aprendizagem.
O método de casos coloca o participante no papel de tomador de decisão, diante de situações próximas da realidade empresarial, com as restrições e informações incompletas que também fazem parte da vida real. Em vez de receber primeiro a teoria e depois aplicá-la a um exercício, o participante precisa analisar o problema, identificar informações relevantes, avaliar alternativas, considerar riscos e construir uma posição. E, principalmente, precisa estar preparado para defendê-la.
Essa mudança também transforma profundamente o papel do professor. O professor deixa de ser apenas quem apresenta respostas. No PRISMA, queremos menos tempo dedicado à exposição e mais tempo dedicado à discussão. O professor assume o papel de mediador: questiona, escuta, contrapõe argumentos, apresenta novas perspectivas e conduz o grupo para níveis mais profundos de análise. Uma boa discussão de caso não busca simplesmente descobrir quem está certo ou errado.
Um participante pode olhar para determinado problema sob a perspectiva financeira. Outro pode perceber uma questão de governança. Alguém pode identificar impactos sobre pessoas, cultura ou reputação. Outro pode trazer a perspectiva do cooperado. Quando essas diferentes leituras entram em diálogo, algo importante acontece: o participante começa a enxergar além da sua própria perspectiva.
E talvez esteja aí uma das contribuições mais importantes dessa metodologia para o desenvolvimento de líderes.
O método de casos cria um espaço para ouvir argumentos diferentes, reconsiderar premissas e perceber aspectos que inicialmente haviam passado despercebidos.
Queremos contribuir para desenvolver líderes capazes de fazer melhores perguntas, analisar diferentes perspectivas e tomar decisões mais conscientes diante da complexidade.
