6ª etapa da Radiografia da Agropecuária Gaúcha debate sucessão rural e produção sustentável
Na manhã desta quinta-feira (18/10), no Plenarinho da Assembleia Legislativa, a sucessão rural e a produção de alimentos de forma sustentável foram os temas abordados na sexta edição da Radiografia da Agropecuária Gaúcha. A criação de políticas públicas para a manutenção do jovem no campo através de uma mobilização nacional foi o principal encaminhamento elaborado no encontro.
O presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, deputado Ernani Polo, abriu os trabalhos destacando a importância da permanência do homem no campo para dar continuidade à produção de alimentos, “é inadmissível que milhares de pessoas ainda morram de fome em pleno século XXI. Não podemos permitir que a evasão rural continue. Quem produzirá alimentos em um futuro próximo para abastecer a população que cresce cada vez mais?”, indagou o parlamentar.
Sucessão Rural
Vergilio Perius, presidente do Sistema Ocergs- Sescoop/RS, palestrou sobre sucessão rural e alertou que a agricultura familiar é a principal forma de produzir alimentos. “Só a agroindústria salvará o campo. Através do fortalecimento do cooperativismo é possível manter o jovem no meio rural, garantindo a qualidade de vida e geração de renda”, defendeu.
Perius citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que elucidam a falta de mão de obra no meio rural. Segundo o levantamento, mais da metade dos jovens ficam no campo até os 25 anos de idade; e quando saem à procura por mercado de trabalho nas cidades, o índice de permanência cai para apenas 12%.
Produção de Alimentos – Bioenergia e Sustentabilidade
Hélder Muteia, representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), falou sobre a produção sustentável de alimentos e explicou que a FAO tem o objetivo de erradicar a pobreza extrema do planeta, “a pobreza é a mãe da fome”, afirmou.
Hélder informou que uma em cada 8 pessoas passa fome no mundo hoje, e para reverter essa situação existe uma série de barreiras a serem superadas: “O grande desafio é enfrentar o crescimento da produção de biodiesel e a globalização do comércio. O preço dos combustíveis, a urbanização e a crise econômica também afetam os preços dos alimentos”, considerou. Segundo Muteia, é fundamental levar a tecnologia para o campo, bem como agregar valor aos serviços básicos, “precisamos de bons hospitais, médicos, escolas capacitadas onde seja possível manter a qualidade de vida das pessoas que trabalham com agricultura”, assegurou.
Escassez de água e importância das cooperativas
De acordo com Hélder Muteia, um bilhão de pessoas não têm acesso à água, “precisamos adotar posições integradas em bacias hidrográficas para seu uso racional e sustentável”, destacou. Para Hélder, a melhor forma de combater a pobreza é incentivar o cooperativismo e a agricultura familiar. “É necessário apostarmos em lideranças fortes que invistam em tecnologia, inovação e redes de proteção social”, alertou. Sobre a importância do sistema cooperativista, Muteia disse que “tudo o que estamos projetandopara o futuro as cooperativas já fazem”, lembrou, dizendo que elas geram lucro e dignidade para as pessoas, para os associados.
Estiveram presentes no debate os deputados Altemir Tortelli (PT), Alceu Barbosa (PDT), Edegar Pretto (PT), Heitor Schuch (PSB), Frederico Antunes (PP), Lucas Redecker (PSDB), Jorge Seibert, representante do Ministério da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Josiane Einloft, coordenadora da Comissão da Juventude da FETAG, Miguel Monta, presidente do CONSEA-RS, representantes da Emater, prefeituras e demais entidades ligadas ao setor.
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Representação