Dia C mobiliza mais de 7 mil voluntários no RS
As cooperativas gaúchas participaram da maior rede cooperativista de voluntariado do País, o Dia de Cooperar (Dia C), em alusão ao Dia Internacional do Cooperativismo, comemorado no primeiro sábado de julho. Em 2016, o projeto, que tem o apoio do Sescoop/RS e do Sistema OCB, contou com mais de 7 mil voluntários de 190 cooperativas e entidades parceiras, totalizando mais de 140 mil pessoas beneficiadas em 90 municípios gaúchos.
Em Porto Alegre, uma grande festa de voluntariado e solidariedade aconteceu em frente ao Mercado Público Municipal, com diversos serviços gratuitos de saúde, educação e cidadania para cerca de 23 mil pessoas que passaram pelo local das 9h às 17h.
Com espírito cooperativista do início ao fim, a população participou de brechó solidário, campanha de incentivo à doação de órgãos, educação financeira para crianças, medição de pressão, massagem relaxante, corte de cabelo, maquiagem e campanha de incentivo à doação de sangue, além de receber orientações sobre o cooperativismo, reciclagem, trabalho e emprego, planejamento financeiro e orçamento doméstico. O público presente também teve a oportunidade de prestigiar diversos shows como Os Fagundes, Los 3 Plantados, Gabriel Farias, Grupo Zueira, Banda Melody e Mc Jean Paul.
Um dos primeiros a chegar no evento foi o presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, que comemorou a chegada do grande dia. “São muitas ações para quem mais precisa de auxílio”. O presidente do Sistema cooperativista gaúcho ressaltou a importância do cooperativismo diante do atual momento econômico. “É um grande momento para aderir ao cooperativismo. O Estado e o País crescem porque os resultados das cooperativas ficam nas comunidades onde atuam”. Perius acrescentou ainda que fazer parte de uma cooperativa vai além de pensar em bens materiais. “Vamos nos unir, discutir, conversar mais como família, de mãos dadas. É uma alternativa de trabalho, que socializa renda, riqueza e poder”.
Foi o que fez o catador Jorge Ori Rosa, 54 anos, que convidou a família para participar do Dia C. Além de ter sido beneficiado com brinquedos para presentear a neta no Brechó Solidário, organizado pela Coeducars, ele também contribuiu para a revitalização da brinquedoteca do Instituto Infantil de Câncer de Porto Alegre, doando uma grande quantidade de tampinhas de garrafa pet. “Eu me sinto bem em poder ajudar”.
Mas para que o Dia C acontecesse, também foi preciso contar com a disposição de pessoas que trabalharam voluntariamente. Uma delas é a Luciana Feijó, tia de Patrick Wulfhorst, doador de órgãos, que morreu em 2013, aos 11 anos de idade. Ela participou da ação da Unicred Porto Alegre, que levou a campanha de incentivo à doação de órgãos para o evento.
Para Luciana, a melhor forma de fazer as pessoas pensarem na causa é através da sensibilização. E para isso, nada melhor do que o relato de alguém que já passou pela situação. Há três anos, no Dia das Mães, o sobrinho sentiu uma forte dor na cabeça e faleceu 48 horas depois. “Na hora de decidir, a minha irmã perguntou o que ela deveria fazer, eu disse para ela fazer o que ela gostaria que fizesse para o filho dela, caso ele tivesse uma chance”. Foi assim que Patrick salvou diversas vidas.
Outro voluntário que fez o Dia C acontecer, foi o enfermeiro do Hospital São Lucas, Dagoberto Rocha. O profissional explica que a informação e o acolhimento à família do doador em potencial são essenciais. “Nós explicamos, esclarecemos as dúvidas e damos a oportunidade da família salvar outras vidas”. Rocha comenta que caso seja possível doar todos os órgãos, o doador pode salvar, no mínimo, oito vidas.
Com três projetos no Dia C, o Sesc contou com a participação voluntária da coordenadora técnica de Educação Complementar, Fernanda Moehlecke. Para ela, o Dia C é um espaço para trocar e reunir instituições preocupadas com a sociedade, que acabam se complementando. Além de ser um espaço para disseminar o cooperativismo. “Nós ficamos muito satisfeitos em participar do Dia C e cumprir nossa missão, que é levar o bem-estar social”.
Acostumada a circular pelo Mercado Público durante quase todos os dias, a moradora de rua, Marli Pires Pereira, 53 anos, estava ansiosa para participar das ações do Dia C. O primeiro serviço que utilizou foi o brechó solidário, onde ganhou uma mochila que tanto desejava, e também um par de tênis. Cadeirante, ela mora nas ruas de Porto Alegre há dois anos e viu no Dia C a oportunidade de suprir algumas de suas necessidades. Para agradecer pelos presentes recebidos, Marli fez um desenho e expressou o seu amor pelas crianças. “Eu gostei muito de vir aqui porque eles estão ajudando as pessoas. Se eu pudesse, também ajudaria”.
Representação