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Cooperativas de telecomunicações irão ampliar a inclusão digital
Nova lei abre caminho para cooperativas de telecomunicações ampliarem o acesso à internet, especialmente em áreas rurais e comunidades menos atendidas.
A Coprel é um dos exemplos gaúchos de como as cooperativas podem transformar o acesso à conectividade e à inclusão digital no Brasil. Com a sanção da Lei nº 15.324/2026, que assegura a atuação das cooperativas brasileiras na prestação de serviços de telecomunicações, o setor ganha mais segurança para avançar em regiões onde o acesso à internet ainda é limitado.
A nova legislação permite que cooperativas prestem serviços de telecomunicações em todo o país, ampliando uma atuação que, até então, tinha mais restrições. Na prática, isso representa uma oportunidade para levarinternet de qualidade, atendimento próximo e desenvolvimento para comunidades que muitas vezes não estão no foco das grandes operadoras.
Coprel leva internet ao interior do RS
No Rio Grande do Sul, a Coprel já mostra esse potencial por meio da Coprel Telecom, que oferece serviços de internet, TV e telefonia. A atuação nasceu de uma demanda dos próprios cooperados, que já eram atendidos pela cooperativa na área de energia, especialmente em comunidades do interior.
Hoje, a Coprel Telecom leva internet 100% fibra óptica com conexão estável e tecnologia de ponta, TV e streaming, telefonia móvel e fixa com cobertura nacional, planos acessíveis e suporte local, videomonitoramento e outros produtos para mais de 30 municípios gaúchos. Para Jânio Stefanello, presidente da Coprel, a conectividade é essencial para manter o jovem no campo e garantir qualidade de vida também longe dos grandes centros.
“Hoje, o jovem do interior quer estar nos seus grupos do WhatsApp, quer ver filmes no streaming, quer acessar sua cooperativa de crédito pelo celular. Ele quer poder usar a tecnologia lá no campo. E as cooperativas de telecomunicações estão viabilizando essa mudança”, destaca.
Presença local faz diferença no atendimento
Além de ampliar o acesso, o modelo cooperativo traz um diferencial importante: a proximidade com a comunidade. Para Stefanello, esse relacionamento direto se torna ainda mais relevante em momentos críticos, como falhas no serviço ou eventos climáticos.
“Na hora da verdade, quando há um temporal, por exemplo, em quanto tempo se repõe uma fibra óptica? Quando acontece um problema, que nível de resposta você dá para o consumidor? Temos um alto nível de preocupação em criar canais de comunicação efetivos para garantir atendimento rápido”, afirma.
Outro ponto destacado pelo presidente da Coprel é a gestão democrática. No cooperativismo, os usuários não são apenas consumidores: eles participam da construção do negócio. “Com proximidade, transparência, relacionamento e sentimento de pertencimento, o consumidor passa a ser o dono do negócio”, reforça Stefanello.
Cooperativas podem chegar onde a internet ainda falta
Apesar de nove em cada dez brasileiros terem acesso à internet, segundo dados recentes do IBGE, aconectividade ainda não chega da mesma forma a todas as regiões. Nas áreas rurais, a falta de acesso no domicílio segue como uma das barreiras para quem ainda não utiliza a internet.
É nesse cenário que as cooperativas de telecomunicações podem ampliar sua contribuição. Além de facilitar atividades do dia a dia, como enviar mensagens, acessar serviços bancários, estudar ou consumir informação, a internet no campo também impulsiona a agricultura de precisão, o uso de equipamentos conectados, a emissão de documentos fiscais eletrônicos, o monitoramento das propriedades e a comercialização digital da produção.
Um novo passo para o cooperativismo brasileiro
De acordo com Thayná Côrtes, analista técnico institucional de Infraestrutura do Sistema OCB, a nova legislação fortalece o papel das cooperativas em um serviço cada vez mais essencial. “Quando falamos de telecomunicações, estamos falando de algo que é tão essencial quanto energia, água, saneamento, habitação, que é a conectividade. E é nesse contexto que o cooperativismo começa a ampliar sua presença, levando internet de qualidade, inclusão digital e desenvolvimento para as comunidades”, explica.
Com a lei em fase de regulamentação, as cooperativas passam a ter novas possibilidades de atuação, incluindo internet por satélite e modelos de operação móvel virtual, conhecidos como MVNO. O avanço abre espaço para mais soluções conectadas, com foco no atendimento às necessidades das pessoas e no desenvolvimento das comunidades.
A partir da experiência da Coprel, reforçamos como o cooperativismo gaúcho segue conectado às demandas do presente e preparado para construir o futuro com inovação, proximidade e impacto social.