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2026 é o Ano Internacional da Mulher Agricultora
Reconhecimento da ONU reforça a urgência de ampliar oportunidades no campo e dialoga com a força das mulheres no cooperativismo gaúcho.
Em 2026, o mundo volta os olhos para quem sustenta boa parte da produção de alimentos e, ainda assim, enfrenta barreiras históricas para acessar recursos e liderar decisões no campo. A Assembleia Geral da ONU declarou 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora e confiou à FAO a coordenação dessa agenda global.
Um marco que pede ações – não só homenagens
A proposta vai além do simbolismo: é um chamado para transformar reconhecimento em políticas públicas, investimento, inovação e metas verificáveis capazes de reduzir desigualdades persistentes no meio rural. A FAO destaca pontos críticos que seguem desiguais na prática: terra, crédito, tecnologia, assistência técnica, formação e participação na tomada de decisão. Mesmo onde as mulheres são maioria no trabalho cotidiano, nem sempre conseguem o mesmo espaço em liderança, visibilidade e autonomia.
O cooperativismo pode acelerar a virada
No cooperativismo, essa agenda encontra um caminho prático: cooperativas ajudam a organizar produção, ampliar acesso a capacitações, facilitar a adoção de tecnologias e abrir portas para que mais mulheres ocupem espaços de governança — fortalecendo cadeias produtivas e dinamizando territórios.
Nesse contexto, o Comitê Elas pelo Coop ganha ainda mais relevância ao impulsionar o desenvolvimento de competências, a troca de experiências e a formação de lideranças femininas dentro do universo cooperativista. Criado a partir de uma deliberação do 14º Congresso Brasileiro do Cooperativismo (CBC), o comitê tem como missão fortalecer a presença feminina nos espaços de decisão estratégica.
Para isso, o grupo desenvolve ações em quatro eixos: intercooperação, elaboração de diretrizes, formação e capacitação, e representação institucional. Atualmente, já existem 17 comitês estaduais espalhados pelo país, que promovem oficinas, mentorias e participação ativa em fóruns regionais e nacionais.
Assim como o Comitê Elas pelo Coop RS, criado em 2024 pelo Sistema Ocergs e que nasceu para incentivar o protagonismo feminino nas cooperativas gaúchas, conectando mulheres, ampliando espaços de fala e impulsionando a presença delas nos processos de decisão.
Para 2026, a nova turma do comitê gaúcho estabeleceu uma agenda estratégica focada em resultados práticos e representatividade. Entre as prioridades, destacam-se a qualificação de indicadores para monitorar ações e o fortalecimento do engajamento feminino nas cooperativas.
O plano prevê ainda o apoio à criação de novos grupos de liderança, a definição de metas de diversidade e a expansão de capacitações contínuas, visando consolidar o programa como a principal referência em protagonismo feminino no cooperativismo gaúcho.
Caminhos apontados para 2026
Entre as frentes que a agenda internacional reforça, estão:
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Ampliar acesso a recursos produtivos e crédito
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Fortalecer assistência e extensão rural com recorte de gênero
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Acelerar inclusão digital e acesso a tecnologia no campo
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Estimular participação em cooperativas, conselhos e espaços de decisão
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Ampliar redes de proteção e enfrentamento da violência contra a mulher no campo
Experiências que inspiram
Em diferentes regiões do país, iniciativas voltadas às mulheres do campo vêm mostrando resultados consistentes quando trabalham três frentes ao mesmo tempo: formação técnica (produção e qualidade), desenvolvimento de gestão (custos, planejamento e comercialização) e apoio ao empreendedorismo (agregação de valor e acesso a mercado).
Essa lógica conversa diretamente com o cooperativismo. Em 2026, com o tema em destaque no mundo, a oportunidade é transformar esse movimento em rotina – com mais mulheres qualificadas, visíveis e ocupando espaços estratégicos nas cooperativas gaúchas, fortalecidas por redes como o Comitê Elas pelo Coop/RS.